Sobre o amor

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos trinta.

Não contaram para nós que o amor não é acionado, nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.

Não contaram que já nascemos inteiros, e que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.

Não nos contaram que isso tem nome: anulação. E que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

*   *   *

Talvez nunca, como na atualidade, o amor seja tema de tantos textos, estudos, experiências e obras literárias.

Conforme a experiência e inteligência humanas vêm se transformando, modifica-se também nossa forma de ver e viver muitas coisas.

Dessa maneira, caem mitos e se apresentam novas verdades, mais maduras, mais equilibradas.

Qualquer ideia de que não somos completos, de que precisamos de uma outra metade, para sermos felizes, é, no mínimo, questionável.

A imagem romântica da união entre dois seres é, sem dúvida, repleta de beleza, mas só a evolução do pensamento para nos mostrar belezas mais grandiosas ainda.

Como é belo e esperançoso saber que podemos encontrar felicidade não apenas com uma alma, mas com várias!

Entendamos que não encontraremos a felicidade nas pessoas, mas com elas.

A felicidade é nossa responsabilidade, é conquista individual.

Quanta alegria no coração daqueles que perderam grandes amores, e que descobrem poder ter muitos deles, nesta e em outras existências!

Quanto consolo para as lágrimas dos que amaram e não foram correspondidos, para os que sofreram os reflexos da imaturidade e desequilíbrio de seus amados.

Há muito para amar. Há muitos para amar.

Muito para aprender na vida a dois, na convivência diária com as diferenças.

Desfrutamos do conforto e proteção das naves da felicidade, em nosso castelo lar, graças às afinidades.

Porém, são a sabedoria e a maturidade conquistadas na convivência com as diferenças, as grandes construtoras dessas paredes vastas e rígidas que asseguram o sucesso na empreitada doméstica.

A visão ampla e definida que já podemos ter nos mostra, de um lado, a anulação e, do outro, a tirania e a dominação, faz-nos, assim, escolher o caminho do meio.

O caminho da individualidade completa na essência, que na convivência com outros vai se moldando e crescendo, perfectível que é, por natureza.

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Não alimentemos a ideia de almas gêmeas, no seu sentido absoluto. Deus jamais criaria Seus filhos pela metade. Seriam incompletos.

Entendamos como uma expressão poética, exatamente para representar aqueles indivíduos que têm excelente encaixe psicológico de tal modo que se complementam psíquica e afetivamente.

Não passa de um símbolo para exprimir os grandes entrosamentos psíquicos, as grandes afinidades entre almas.

Redação do Momento Espírita, com base em
 crônica de Marta Medeiros, e na segunda parte, item
 
O encontro dos parceiros, q. 22, do livro Desafios da
 vida familiar, pelo Espírito Camilo, psicografia de
 Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 26.3.2026

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